Com quantas cores se pinta uma cidade?

O livro de Andrés Sandoval faz o paulistano revisitar sua relação imagética com a cidade

O livro é estreito e envolto em uma luva (um papel mais grosso e mais firme, que lembra um envelope), e o primeiro contato do leitor é com a textura da capa, cujo relevo se incorpora à ilustração. A luva é aberta por cima ou por baixo (e não pela lateral), e o movimento de deslizar o livro vai revelando gradualmente a primeira página, onde se inicia o itinerário, que começa com um sobrevoo em Pedra Grande. Dali temos uma vista panorâmica da cidade, que começou entre dois rios: o Tamanduateí e o Anhangabaú.

Da aldeia de jesuítas ao Masp

Em “Sampã”, há uma vista de cima do edifício Altino Arantes (também conhecido como antigo prédio do Banespa) e, nesse mesmo mapa, um aldeamento de jesuítas catequizando indígenas — antigos moradores do local — , até chegar ao prédio inaugurado em 1947. Conforme desdobramos o livro, nos aproximamos do chão até chegarmos ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), ao Teatro Oficina e a uma feira livre. Em “Luz e água branca”, somos guiados pelos ipês, sibipirunas e jacarandás. Essa São Paulo de Andrés Sandoval não só aterrissa o leitor nas ruas paulistanas como o remete à história, à arquitetura e à botânica de cada lugar. Ao percorrermos o livro, desdobramos o tempo — e essa é uma das particularidades que Sandoval nos traz ao narrar a sua cidade. Em cada lugar, o tempo se amplia da sua origem aos dias de hoje.

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Desenho gráfico editorial, especializado em livro para a infância.

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